weather talk — faz calor, está chovendo, and one forgotten umbrella · ~880 words · level A2
No sábado, de manhãzinha, o céu estava azul e limpo. Fazia semanas que não chovia na cidade, e o ar estava abafado. — Trinta graus! — falou Bruno. — Que calor para um sábado de manhã. — Que dia perfeito! — disse Júlia. — Vamos fazer um piquenique no parque? — Boa ideia! — respondeu Bruno. — Está fazendo calor, mas tem vento. — Você viu a previsão do tempo? — Vi. Sol o dia todo. O dia vai ficar ensolarado até a noite. — Ensolarado, é? — Júlia olhou para a serra. — Tem uma neblina esquisita lá em cima. — Isso não é nada. Daqui a meia hora vai clarear.
Eles compraram pão, queijo e frutas no mercado. Júlia colocou uma toalha grande, dois pratos e uma garrafa de água na bolsa. — Leva o repelente — falou ela. — No parque tem mosquito até de dia. — E leva o guarda-chuva também, por via das dúvidas. — Que nada! A previsão disse sol o dia todo. — Leva assim mesmo. Por via das dúvidas. Bruno pegou o guarda-chuva, olhou o céu azul e deixou ele ao lado da porta. Na caixa de isopor, a água e o refrigerante estavam bem gelados.
No parque, acharam um lugar perfeito, perto do lago. Sentaram na grama, na sombra de uma árvore grande. A grama ainda estava úmida embaixo da árvore, mas ninguém reclamou. Uma folha seca caiu no prato de Bruno e ele comeu do mesmo jeito. Em cinco minutos, as formigas acharam o queijo. — Formiga é assim mesmo — riu Júlia. — Elas sabem o endereço do piquenique. Bruno passou repelente nos braços, mas um mosquito achou o pé dele. — A picada já está vermelha! — reclamou ele, coçando o pé. O céu estava azul, sem uma nuvem — um dia perfeito de verão.
— No inverno a gente não pode fazer piquenique — falou Júlia. — Eu acho que o verão é a melhor estação do ano. — Eu não! No verão faz calor demais. Eu prefiro o outono. — No outono cai folha em cima da mesa, do prato, da comida, de tudo. — Mas o dia fica ensolarado e o ar fica seco. É a melhor época do ano. — E na primavera o parque fica bonito, cheio de cor e cheio de abelha. Eles ficaram meia hora discutindo as estações do ano, comendo queijo com formiga.
De repente, o vento ficou mais forte. Começou a ventar de um jeito diferente: um vento frio no meio do calor. Uma nuvem grande e cinza apareceu atrás da serra. — O tempo está mudando — falou Júlia, olhando o céu. Longe, muito longe, um trovão fez um barulho baixo. — Isso foi um trovão? — perguntou ela. — Isso foi um caminhão — respondeu Bruno. Um relâmpago cruzou o céu e ninguém falou mais nada sobre caminhões. A chuva começou a pingar devagar, uma garoa fina nas folhas da árvore. — Fica tranquila! A previsão disse sol o dia todo! — falou Bruno.
A garoa virou chuva e a chuva virou tempestade em dois minutos. — Corre! — gritou Bruno, com a toalha na cabeça. Eles correram para debaixo da árvore, mas a árvore não ajudou muito. A água passava pelas folhas e estava molhando tudo. — Eu falei que ia cair um toró! — Você falou que ia fazer sol! Pedrinhas brancas começaram a bater no chão: granizo, no meio do verão. Júlia escorregou na grama molhada e caiu sentada dentro de uma poça. O pão, o queijo, as frutas — a chuva estragou o piquenique inteiro. Eles tomaram chuva da cabeça aos pés e correram para o carro.
Dentro do carro, a toalha do piquenique virou toalha de secar cabelo. — Onde está o guarda-chuva, Bruno? — perguntou Júlia, com a franja na cara. — Em casa. Do lado da porta. Eu vi ele hoje de manhã. — Você sempre esquece, Bruno! Sempre! Os vidros do carro embaçaram, de tanta água no ar lá dentro. Lá fora, a rua já era um rio pequeno, com poças em todo canto. O trânsito parou. Choveu forte durante quarenta minutos.
Em casa, Bruno fez um chá quente e olhou a chuva pela janela. Júlia pendurou a toalha no banheiro para secar. As roupas molhadas ficaram na área de serviço, pingando a noite toda. — Sabe, Júlia… choveu, mas o piquenique estava ótimo. — Ótimo? Eu sentei numa poça, Bruno. — Estava ótimo até a poça. Às cinco da tarde, o tempo abriu. O céu clareou, o sol voltou e o parque ficou verde, molhado e lindo. — Claro — falou Júlia. — Agora que a gente está em casa, o tempo abriu.
Na segunda-feira, Bruno comprou dois guarda-chuvas e um repelente novo. Deixou um guarda-chuva no carro e o outro na mochila do trabalho. — Próximo fim de semana, praia? — perguntou ele. — Praia? E a previsão? — Vinte e oito graus, mar calmo, dia ensolarado. — Eu nunca mais vou acreditar na previsão do tempo — falou Júlia. — Nem eu. Mas eu vou levar o guarda-chuva, por via das dúvidas. No sábado seguinte, na praia, fez sol o dia inteiro. E o único problema do dia foi uma formiga dentro da caixa de isopor.
The words in this story are taught in Lição 15
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