estava + gerund and the two pasts — a real story, told properly · ~829 words · level A2
Era uma noite quente de janeiro. Rafael estava assistindo a um filme de terror no sofá. A esposa dele, Paula, estava lendo um livro do lado dele. Lá fora, o vento estava forte e o céu estava escuro. Uma tempestade estava chegando, mas ninguém na casa estava preocupado. Na janela, a cortina se mexia devagar, como uma mão. Pipoca, o gato deles, estava dormindo em cima de um cobertor velho. Era só mais uma sexta-feira comum — por enquanto.
Era sexta-feira, o fim de uma semana longa de trabalho. Rafael tinha que acordar cedo no sábado, mas o filme estava bom demais. — Este filme parece muito ruim — falou Paula, sem olhar para a televisão. — É ruim mesmo. Por isso eu amo. No filme, uma mulher andava sozinha num corredor escuro, com uma vela na mão. Cada degrau da escada rangia debaixo dos pés dela, mas ela não voltava para trás. — Ninguém sobe num sótão à meia-noite — falou Paula. — Ninguém! Rafael riu, comeu mais pipoca e não respondeu nada.
De repente, a luz apagou. A televisão parou. A casa ficou em silêncio total. A chuva começou a bater na janela. Foi um apagão em toda a rua: os postes, as casas, tudo ficou na escuridão. — Paula… você ouviu isso? — perguntou Rafael, baixinho. Um barulho estranho vinha da cozinha. Alguma coisa estava se mexendo lá dentro. — Calma. Deve ser só o vento — falou Rafael, sem muita certeza. Paula não respondeu. Ela estava imóvel no sofá, com o coração na boca.
Rafael pegou o celular e ligou a lanterna. A bateria estava em oito por cento — o pior número da noite. Paula procurou uma vela na gaveta e acendeu com um fósforo. A chama pequena fez uma sombra enorme na parede da sala. — Fica atrás de mim — falou ele, com voz de herói de filme. — Meu herói está tremendo — respondeu Paula, quase rindo. Ele andou devagar até a cozinha. Paula veio atrás, pé ante pé. Enquanto eles atravessavam a sala, o barulho ficava mais alto.
No corredor, a lanterna do celular apagou sozinha e voltou logo depois. — Eu não gosto disso… — disse Paula. O coração de Rafael estava correndo. O barulho parou… e voltou, mais forte. Um trovão explodiu em cima da casa e os dois gritaram juntos. Depois do trovão veio um relâmpago, e a janela ficou branca por um segundo. Nesse segundo, Rafael viu um vulto pequeno passar pela porta da cozinha. — Tem alguma coisa ali — sussurrou ele. — Eu vi, Paula. Eu vi. Paula sentiu um arrepio nos braços e quase parou de respirar.
Eles chegaram à porta e Rafael espiou pela fechadura, sem abrir. Não deu para ver nada: lá dentro estava tudo escuro como breu. — Abre logo — falou Paula, apavorada. — Abre num piscar de olhos! Então Rafael abriu a porta da cozinha. De repente, uma coisa pequena e rápida correu entre os pés dele! Rafael gritou. Paula gritou. A coisa também gritou! A vela caiu no chão e apagou, e a escuridão voltou inteira. Por três segundos, ninguém naquela casa se mexeu.
Rafael acendeu a lanterna outra vez, com a mão tremendo. Era o gato deles, Pipoca, que estava preso dentro do armário. Ele entrou lá para pegar um pacote de biscoito e a porta do armário fechou sozinha. Pipoca olhou para os dois com cara de quem não fez nada. — Você ficou preso aí a noite toda? Coitado! — falou Paula. O gato passou de mansinho entre as pernas deles e foi beber água. Rafael sentou no chão da cozinha e deu uma risada nervosa. — Esse gato quase me matou de susto — falou ele, aliviado.
Cinco minutos depois, a luz voltou e tudo parecia normal de novo. A televisão ligou sozinha, no meio do filme de terror. Paula subiu a escada e olhou para o corredor lá de cima: nada, ninguém, só sombra. — Eu ainda estou assustada — falou ela. — Meu coração está batendo rápido. Pipoca estava dormindo no sofá, tranquilo, como sempre. O alívio da casa inteira estava ali, em forma de gato, roncando. — Sabe o que é engraçado? — disse Paula, rindo. — Nós estávamos assistindo um filme de terror… — …e no final, o monstro era um gato de três quilos.
Que susto! E que história boa para contar amanhã. Antes de dormir, Paula guardou duas velas novas na gaveta da cozinha. — Da próxima vez a gente vai estar preparado — falou ela. No corredor, escondido atrás da porta, Rafael assustou a esposa mais uma vez. — Nunca mais faz isso! — gritou ela, e os dois riram até a madrugada. No sábado, Rafael falou do gato para todo mundo no trabalho. — O monstro mais perigoso do Brasil — falou ele. — Três quilos de fome. E toda vez que a luz pisca em janeiro, Paula olha para o armário e ri sozinha.
The words in this story are taught in Lição 17
Every story in Rumo uses only words and grammar from its lesson and the ones before it, so you can read it after Lição 17 (level A2).
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