ter que, precisar, dever — and one very important interview · ~933 words · level A2
Camila é engenheira, mas trabalha em vendas numa loja — e quer um trabalho novo. No trabalho antigo, o salário era baixo e o chefe era muito exigente. Ela batia ponto às sete da manhã e saía às sete da noite. Fazia hora extra toda semana, mas nunca via um aumento no fim do mês. O chefe cobrava relatório atrás de relatório e nunca falava obrigado. Fazia cinco anos que ela trabalhava lá — e estava cansada das mesmas tarefas. — Este expediente está puxado demais — falava Marcelo, o contador da empresa. Na segunda-feira, ela viu uma vaga perfeita: engenheira de projetos numa empresa grande. O salário é bom e o escritório fica perto da casa dela.
— Eu tenho que conseguir esta entrevista! — pensou ela. À noite, Camila abriu o currículo velho no computador. O currículo ainda falava do estágio dela numa loja pequena, cinco anos antes. Ela anotou tudo o que fez desde então, projeto por projeto. Depois abriu uma planilha e colocou as datas em ordem. — Tenho que imprimir isso amanhã, sem falta — falou ela para o gato. No dia seguinte, a impressora do escritório parou de funcionar às oito da manhã. Camila imprimiu o currículo numa papelaria, em cima da hora, antes do almoço. Na terça, ela mandou o e-mail para a empresa e conferiu o endereço três vezes.
A resposta chegou rápido: entrevista na quinta-feira, às nove. — Uma entrevista na quinta? — perguntou a colega dela. — Você tem que se preparar! — Nossa! Preciso de um plano. Tenho dois dias. Na quarta, veio outro e-mail: o gerente adiou a entrevista para sexta-feira. — Adiaram! Agora eu tenho um dia a mais e uma noite a menos de sono. — Você deve descansar também — disse a mãe dela. — Não pode ficar nervosa. — Descansar? Eles têm quarenta candidatos para uma vaga só, mãe. — A vaga é concorrida demais, mãe. Eu tenho que estudar hoje à noite.
Na quarta e na quinta, Camila estudou tudo sobre a empresa. Ela terminou as tarefas do trabalho antigo e começou a preparar as respostas. Ela leu tudo sobre os projetos da empresa no escritório e em casa. A empresa tem uma equipe de trinta funcionários e dois estagiários. — Você deve dormir cedo — falou a mãe. — Não pode ficar cansada na entrevista. Ela praticou na frente do espelho, como uma professora. — Por que você quer trabalhar aqui? Qual é o seu ponto forte? — perguntava ela mesma, em voz alta. — Eu dou conta — falou ela para o espelho. — Eu dou conta, sim. Na quinta à noite, separou a carteira de trabalho e os documentos numa pasta.
Na sexta, Camila acordou cedo e tomou um bom café da manhã. Ela usou a camisa branca nova e chamou um carro pelo aplicativo. O motorista pegou um trânsito horrível na avenida. — Entrevista, né? — perguntou ele. — Fica tranquila. Você chega. Ela chegou vinte minutos cedo, pontual como sempre. Na entrada, o recepcionista deu um crachá de visitante para ela. No corredor, ela passou pelo refeitório e sentiu cheiro de café e de pão de queijo. A entrevista começou às nove em ponto.
— Muito prazer, Camila! Você veio de longe? — Não, moro perto daqui. — Você tem experiência na área? — perguntou o gerente. — Cinco anos, e um estágio antes disso. A chefe da equipe fez uma pergunta difícil sobre prazos e dinheiro. — Aqui a gente às vezes precisa fazer hora extra. Você está disponível? — Estou disponível — respondeu Camila. — Mas eu prefiro planilha boa e prazo real. Os dois riram. O gerente anotou alguma coisa no caderno dele. — A gente contrata pouca gente por ano — falou ele. — Mas contrata bem. Uma hora depois, tudo terminou. O gerente perguntou, ela respondeu. — Você vai ter a nossa resposta na segunda — disse ele.
O fim de semana ficou longo, muito longo. No sábado, Marcelo mandou uma mensagem: a empresa antiga demitiu três pessoas. — Demitiram o pessoal das vendas na sexta à tarde, sem avisar ninguém. Camila leu a mensagem duas vezes e não conseguiu dormir. No domingo, ela não descansou nada — só pensou na resposta. A mãe fez bolo, ligou a televisão e não falou do assunto. — Você deu conta da entrevista — falou ela, no fim da noite. — Agora espera.
Na segunda de manhã, o telefone tocou às oito e meia. — Bom dia, Camila! Bem-vinda à empresa. Você começa em duas semanas! — Vocês vão me contratar mesmo? — Vamos. Com carteira de trabalho e tudo. O salário novo era trinta por cento maior — um aumento de verdade. Camila desligou o telefone e gritou de alegria. — Mãe! Agora eu sou engenheira de verdade! E antes do trabalho novo… eu preciso de férias! — E o melhor: as férias começam já na primeira semana de dezembro!
Na terça, Camila falou com o chefe antigo, olhando nos olhos dele. — Eu saio em duas semanas. Vou entregar todos os relatórios, sem falta. O chefe ficou vermelho e falou de aumento pela primeira vez em cinco anos. — Agora? — perguntou ela. — Em cima da hora, como sempre. Na sexta, ela devolveu o crachá velho e bateu ponto pela última vez. No trabalho novo, o crachá é azul, a impressora funciona e tem café no refeitório. O expediente ainda é puxado, mas agora é puxado com um salário bom. — E hora extra, tem? — perguntou Marcelo, no telefone. — Tem. Mas eu dou conta.
The words in this story are taught in Lição 16
Every story in Rumo uses only words and grammar from its lesson and the ones before it, so you can read it after Lição 16 (level A2).
Open Lição 16 → All 40 stories in the reader →