ficar, saber vs conhecer — and a new city to learn · ~793 words · level A2
Marina é de Porto Alegre, mas agora mora em São Paulo. O caminhão de mudança chegou às sete da manhã, e ela ainda estava de pijama. Dentro dele tinha dezenove caixas de papelão, um colchão e uma bicicleta velha. Marina fechou a última caixa com fita adesiva e olhou o apartamento vazio de Porto Alegre. O apartamento novo dela fica no centro, perto de um parque bonito. Ela não conhece ninguém na cidade nova. Ela não sabe onde fica o mercado, a farmácia, nada. Nos primeiros dias, ela ficou um pouco triste.
O prédio é antigo e naquele dia o elevador estava quebrado. — Está quebrado desde sexta — disse o zelador, na portaria. — O rapaz vem na terça. Marina olhou a escada estreita e não disse nada. Naquela manhã ela subiu quatro andares dezenove vezes. Dois amigos do trabalho ajudaram a carregar as caixas mais pesadas. No fim da tarde, o corredor do quarto andar estava cheio de poeira. — Desculpa a poeira — ela disse para uma senhora. — Por enquanto, minha casa é isso aqui. O zelador riu: — Fica tranquila. Todo mundo aqui já foi novo um dia.
Naquela primeira noite, o apartamento estava bagunçado e vazio ao mesmo tempo. Marina dormiu no colchão, no chão, entre duas caixas abertas. O vizinho de cima é muito barulhento e ouve música até tarde. Marina pensou em reclamar do barulho, mas não reclamou: ela ainda era a moça nova do prédio. Às onze horas, alguém tocou a campainha. Era o zelador, com um pacote na mão: — Chegou hoje de manhã. — Ah, e a fechadura da porta dos fundos está dura. Amanhã eu vou consertar. Marina agradeceu e ficou sem graça: ela não sabia nem o nome dele. — Meu nome é Seu Alceu — ele disse. — Qualquer coisa, é só me chamar.
— Você já conhece São Paulo? — perguntou a mãe dela no telefone. — Não, mãe. Eu sei que a cidade é enorme. Só isso. — Então você precisa sair de casa! Você precisa conhecer pessoas. — Eu sei, mãe. Mas onde? Eu não sei nem onde fica o banco! — E os vizinhos? Você já cumprimentou alguém no corredor? — Cumprimentei o zelador. E o cachorro do quarto andar. A mãe dela ficou em silêncio um segundo. — Marina. — Tá bom, mãe. Amanhã eu vou falar com alguém de verdade. Prometo.
No sábado, Marina foi a uma festa do trabalho. A festa era num prédio antigo, do lado de uma igreja. Lá, ela conheceu o Rafael. Ele estava sozinho perto da janela, e ela resolveu puxar conversa. — Você sabe cozinhar? — ele perguntou. — Sei! Eu sei fazer um churrasco gaúcho perfeito. — Então você precisa conhecer aquele mercado da esquina. A carne de lá é ótima! — E tem um açougue na rua de trás que é ainda melhor — ele disse.
Rafael conhece a cidade muito bem. — Este restaurante aqui é bom. Aquela padaria ali é a melhor do bairro. — Aquele hospital ali é bom. E este mercado aqui abre cedo. No domingo, os dois andaram o quarteirão inteiro, bem devagar. — A lavanderia fica naquela esquina, do lado da papelaria — explicou ele. — Esta rua aqui é movimentada de manhã, mas fica calma à noite. Marina ficou impressionada: — Como você sabe tudo isso? — Eu moro aqui há dez anos! Fica tranquila, logo você vai conhecer tudo também.
Na segunda-feira, Marina começou a desempacotar as caixas de verdade. Ela arrumou os livros, os pratos e as fotos da família. Ela empilhou as caixas vazias atrás da porta, e a pilha ficou mais alta do que ela. Ela precisava de uma furadeira e não tinha nenhuma. A vizinha do 41 emprestou a furadeira dela, sem perguntar nada. — Depois você devolve. Aqui a gente sempre empresta as coisas. Aos poucos, a vizinhança inteira virou gente conhecida. A moça da papelaria já sabia o nome dela, e o rapaz do açougue também. Seu Alceu consertou a fechadura numa terça-feira, cantando o tempo todo.
Hoje, seis meses depois, Marina conhece o bairro inteiro. Ela sabe onde fica o melhor café e conhece todos os vizinhos. O elevador funciona, o corredor está limpo e não tem mais poeira em lugar nenhum. As caixas de papelão viraram uma pilha na garagem, e a fita adesiva sumiu. E o Rafael? Ele ficou mais do que um amigo… Ela veio para São Paulo por causa do trabalho — e conheceu o amor na cidade grande. Ela ficou feliz na cidade grande — e a cidade ficou melhor com ela. Ontem, um caminhão de mudança parou na portaria com uma moça de pijama dentro. Marina desceu a escada estreita e puxou conversa primeiro.
The words in this story are taught in Lição 11
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