gostaria, poderia, pedir and trazer — a birthday dinner in style · ~957 words · level A2
Dona Rosa faz setenta anos hoje. Os filhos dela querem comemorar num restaurante especial. Ela sempre fala que não quer festa — e todo ano ela ama a festa. Na segunda-feira, o filho mais velho ligou para o restaurante. — Boa tarde. Eu gostaria de reservar uma mesa para sábado, por gentileza. — Pois não. Para quantas pessoas? — perguntou a moça do balcão. — Para seis. É o aniversário da minha mãe: setenta anos. — Que lindo! A gente vai preparar tudo com carinho — respondeu ela.
Durante a semana, a família preparou tudo com calma. A filha fez cem brigadeiros caseiros na cozinha dela, um por um. Os docinhos ficaram numa bandeja bonita, prontos para levar. A neta comprou salgadinhos e guardou tudo na geladeira. O filho mais novo comprou o presente e embrulhou sozinho, com muita paciência. O embrulho ficou caprichado, com papel dourado e um laço vermelho enorme. — Mamãe vai chorar hoje à noite, com certeza — falou ele, rindo. Ninguém contou nada para dona Rosa, e isso foi a parte mais difícil.
O restaurante fica no centro, perto da praça, e é famoso pela comida baiana. No sábado, às oito da noite, o lugar estava lotado e animado. — Boa noite! Uma mesa para seis, por gentileza — disse o filho mais velho. — Pois não! Por aqui, por favor — respondeu o garçom, com um sorriso. — Hoje o anfitrião sou eu — falou o filho, todo orgulhoso. A mesa tinha uma toalha de mesa branca e três flores num copo. Dona Rosa olhou tudo aquilo e ficou emocionada. — Vocês fizeram isso para mim? — A senhora é a aniversariante — falou a filha. — Hoje a senhora só senta e come.
Na mesa, todo mundo abriu o cardápio. — Eu gostaria de começar com uma entrada — disse dona Rosa. — O que você recomenda? — A senhora precisa provar o nosso pastel de queijo. É famoso! — Então eu quero seis! Hoje ninguém faz dieta. — E para beber? — Um suco de manga para mim, por gentileza. O garçom trouxe os cardápios e uma cesta de pão quente. Ele era muito prestativo e explicava cada prato com paciência. — Precisando de alguma coisa, às ordens — dizia ele toda vez que passava pela mesa. Trouxe também guardanapos novos, porque a neta derrubou o suco na toalha.
O garçom trouxe os pastéis e todo mundo pediu o prato principal. — Para mim, a moqueca — disse dona Rosa. — Eu queria o prato do dia — disse a filha. — E você poderia trazer mais suco? — Trago sim, com muito prazer! — A senhora vai amar — falou o garçom. — A moqueca é o prato mais pedido da casa. Enquanto eles esperavam, a família falava das histórias antigas da dona Rosa. Ela contou de novo o dia em que perdeu o ônibus e conheceu o marido. Todo mundo já sabia a história de cor, e todo mundo escutou outra vez.
Quando a comida chegou, o filho mais velho levantou e pediu silêncio. Ele ergueu a taça de vinho e fez um discurso bem curto. — Eu gostaria de fazer um brinde — falou ele. — À mulher que criou todos nós. — Um brinde à dona Rosa! — respondeu a mesa inteira. Todo mundo brindou, e as taças fizeram um barulho bonito. As pessoas das outras mesas bateram palmas, sem saber o motivo. Dona Rosa ficou vermelha e mandou o filho sentar. — Fala pouco, filho — disse ela. — A moqueca está esfriando.
Depois do jantar, o garçom apareceu com uma sobremesa surpresa. Era um bolo de chocolate com uma vela e uma palavra escrita: “Parabéns!” Todo mundo cantou, e dona Rosa ficou com os olhos molhados. — Eu gostaria de fazer um pedido! — disse ela, e soprou a vela. — Setenta anos! — falou ela. — E eu me sinto com trinta. Todo mundo na mesa ficou em silêncio quando ela soprou — e depois gritou de alegria. Então o filho mais novo colocou o presente na mesa, com o laço vermelho para cima. — A gente quis presentear a senhora com uma coisa pequena — falou ele. Dentro do embrulho tinha uma foto antiga da família, numa moldura de madeira.
Dona Rosa olhou a foto por um tempo longo e não falou nada. Depois ela agradeceu a cada um, com a mão no rosto de cada filho. — Obrigada mesmo, meus amores. Vocês fizeram uma noite inteira para mim. Então a neta subiu na cadeira para fotografar todo mundo em volta da avó. — Não há de quê, mãe — falou a filha, rindo. — A senhora merece. A neta entregou uma lembrancinha para cada pessoa da mesa. Era um docinho num saquinho, com o nome de cada um escrito à mão. — Amanhã de manhã, é para lembrar do dia de hoje — falou a menina. Dona Rosa fez questão de guardar dois: um para ela, outro para o vizinho.
No final, o filho pediu a conta. — A sobremesa é por conta da casa — disse o garçom. — E o serviço está incluído. Mas o filho deixou uma gorjeta grande mesmo assim. Quando o garçom voltou com o troco, o filho nem contou as notas. Porque educação a gente retribui — e a noite estava perfeita. — Foi um prazer atender vocês — falou o garçom perto do balcão. — Voltem sempre! — Quanto custou tudo isso? — perguntou dona Rosa. — Mãe, hoje ninguém fala de preço! No táxi para casa, dona Rosa falou baixinho: — Setenta anos é o começo de tudo. E no colo dela, a bandeja vazia dos brigadeiros contava o resto da história.
The words in this story are taught in Lição 18
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