meu, minha, dele — possessives and comparisons · ~711 words · level A1
Oi! Eu sou o Lucas, e hoje eu vou falar da família toda. Minha família não é pequena. Nós temos parentes em três cidades: aqui, no Rio e em Salvador. Todo domingo, muitos parentes vão para a casa dos meus avós. A casa deles é velha, mas é grande, e o almoço é ótimo. Minha avó sempre fala: “Domingo sem parente não é domingo.” Para ela, isso é verdade.
Meu tio Paulo é o irmão da minha mãe. Ele é baixo, careca e muito engraçado. A esposa dele é a minha tia Sônia. Minha tia é calma; meu tio nunca é calmo. Eles são um casal, mas eles não são parecidos. Eles têm um filho: o meu primo Téo. Meu primo tem dezessete anos e fala muito. Ele sempre fala a mesma coisa: “Quantos anos você tem, Lucas? Quinze? Você é um bebê!” No domingo eu não gosto do Téo. Na segunda-feira eu gosto.
Meu padrinho é o Seu Jorge, o melhor amigo do meu pai. Ele não é um parente, mas para nós ele é da família. Minha madrinha é a Dona Rita, a irmã do meu pai. Minha madrinha fala pouco; meu padrinho fala por todos. Em junho eu fiz quinze anos. Meu padrinho comprou um presente grande e caro. Minha madrinha comprou um presente pequeno: uma carteira antiga. Ela mostrou a carteira e falou: “A carteira é do seu avô. Agora ela é sua.” Foi o melhor presente do dia.
Minha irmã casou em dezembro. Agora eu tenho um cunhado: o Rafael. Para os meus pais, o Rafael é o genro perfeito: ele lava a louça. Meu cunhado é alto, calmo e gosta de cozinhar. A mãe do Rafael é a sogra da minha irmã. A sogra dela fala muito da comida do Rafael. Minha irmã fala: “A comida da minha sogra é boa, mas a minha é melhor.” Elas não brigam. Elas falam da comida, e todo mundo come.
Em julho, minha irmã e o Rafael tiveram um bebê. O nome dele é Miguel. Miguel é o meu sobrinho, e é o primeiro neto dos meus pais. Minha mãe está muito feliz. Ela cuida do Miguel todo sábado, e meu pai cuida do café. Meu pai mostrou uma foto velha e falou: “O bebê é igual a você, Lucas!” Eu não gosto muito, mas é a verdade: nós somos parecidos. Miguel vai crescer rápido. Um dia ele vai falar muito, igual ao Téo.
Na casa da minha avó tem uma gaveta especial. Minha avó guarda tudo lá: fotos antigas e os óculos do meu avô. Os óculos são muito antigos e um pouco feios. Ela guarda os óculos na gaveta, mas ela usa outros. — Vó, por que você guarda isso? — eu falei. — Porque é do seu avô — ela falou. — Uma coisa antiga é uma coisa da família. Na gaveta tem também a carteira do meu bisavô. Minha família guarda tudo. Nós não jogamos nada fora.
Na minha família, todo mundo empresta coisas. Meu tio empresta o carro dele. Minha tia empresta a mesa grande. Meu primo Téo emprestou a bicicleta dele por um dia. Depois nós brigamos, porque a bicicleta voltou suja. Eu mostrei a carteira nova para ele. — Ela é velha! — ele falou. — Ela é antiga. Não é igual — eu falei. Nós brigamos de novo, mais ou menos dez minutos. Depois nós comemos bolo juntos.
Domingo passado, a família toda esteve na casa dos meus avós. Meu avô nasceu ali e cresceu ali, na casa do meu bisavô. Ele tem oitenta e dois anos, e a idade dele não é um segredo. — Quantos anos você tem, vô? — perguntou o Miguel… bom, o Miguel ainda não fala. Então eu perguntei no lugar dele. — Oitenta e dois — meu avô falou. — E eu vou chegar aos cem.
Meu avô é teimoso. Ele quer fazer tudo sozinho. Minha avó cuida dele, e ele fala que não precisa. Todo mundo comeu, todo mundo falou, e o Téo falou mais do que todo mundo. À noite, minha avó abriu a gaveta outra vez. Minha família não é perfeita — é melhor: é minha! E entre nós: eu sou o favorito da minha avó — mas é um segredo!
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