subjuntivo — espero que, tomara que, duvido que: a surprise in danger · ~651 words · level B1
Faltavam três dias para o aniversário da Júlia. A turma toda estava nervosa, porque a festa era surpresa. — Tomara que ela não descubra nada — disse Pedro, escondendo os balões no armário. — Duvido que ela desconfie — respondeu Sofia. — Ela acha que vamos só jantar. Pedro era aquele tipo de amigo ansioso que confere tudo três vezes. — Entre nós, eu não durmo direito desde segunda-feira — confessou ele.
Mas havia um problema: a Júlia era curiosa demais. — É importante que ninguém poste nada nas redes sociais — avisou Pedro. — E preciso que você esconda o bolo na sua casa, Sofia. — Pode deixar. Espero que caiba na minha geladeira! A maior preocupação de Pedro tinha nome: Bruna, a prima da Júlia. — A Bruna é gente boa, mas é indiscreta. Não conta nada para ela — insistiu ele.
O que ninguém percebeu é que a Bruna já estava magoada de verdade. Ela soube da festa por outras pessoas e sentiu um ciúme antigo da amizade entre Sofia e Júlia. — Não é inveja — disse ela para a mãe. — É que eu também gosto dela. — Claro que não é inveja, filha. Você está ressentida, o que é diferente — respondeu a mãe. — Só espero que ninguém pense que eu sou ciumenta — completou Bruna, já pensando besteira.
Na quarta-feira, Bruna ligou para Sofia e desabafou durante quarenta minutos. Sofia ouviu tudo, tentou tranquilizar a prima e explicou a intenção do grupo. — Ninguém te deixou de fora de propósito. Foi só correria mesmo — disse ela. — Quero que você chegue cedo no sábado e me ajude com o bolo, tá? Bruna aceitou, e a conversa terminou como uma confidência entre amigas, não como uma briga.
O engraçado é que, na quinta-feira, quem cometeu o deslize foi a própria Sofia. Júlia ligou para ela: — Posso passar na sua casa hoje? Sofia olhou para o bolo gigante na cozinha e respondeu, com a voz mais calma do mundo: — Hoje não! Talvez seja melhor amanhã… estou limpando a casa! Só que, dois minutos depois, ela deixou escapar a palavra “convidados”. — Convidados? — repetiu Júlia, e a suspeita nasceu ali, no meio da frase. Foi um vacilo pequeno, do tamanho de uma palavra só.
Sofia contou o vacilo para Pedro, e a tensão do grupo dobrou de tamanho. — Tomara que ela não junte as peças — disse ele. — E é melhor que ninguém espalhe isso no grupo. Alguém insinuou que a Bruna deu com a língua nos dentes, e quase nasceu uma intriga bem feia. — Não se meta, Pedro. A culpa foi minha — cortou Sofia, com vergonha. — Eu suspeitei da sua prima, admito. Peço que ela me perdoe depois. — Ela perdoa. Mas é bom que você aprenda a esperar antes de acusar.
No sábado, quando Júlia abriu a porta, quarenta pessoas gritaram: — SURPRESA! Júlia chorou, riu, e depois confessou: — Eu sei de tudo desde segunda-feira, gente. — Mas eu quero que vocês tenham essa alegria, então fingi surpresa a semana inteira. Uma lágrima escapou até do Pedro, que jurava ser o menos sensível do grupo. — Hoje eu não invejo ninguém — disse Bruna, abraçando a prima. — Estou exatamente onde eu queria estar.
Pedro imaginava um drama de novela, mas fazer as pazes leva bem menos tempo do que brigar. Sofia e Bruna se abraçaram no meio da cozinha, com as mãos sujas de brigadeiro. — Desculpa pelo climão de quarta-feira — disse Bruna. — Desculpa nada. É bom que a gente fale, mesmo quando dói um pouco. Júlia ouviu tudo da porta e não se meteu, porque tem conversa que precisa acontecer sozinha. Ela guardou aquele momento com o mesmo apego com que guardava as fotos antigas da família. A turma inteira gritou: — JÚLIA! — e a festa começou de verdade.
The words in this story are taught in Lição 22
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